segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A CARRIÇA VII NA 13ª CONCENTRAÇÃO

 MOTOTURÍSTICA DO MOTO CLUBE DE 

MAFRA "RATAZANAS DO ASFALTO"

(Dedicado especialmente ao companheiro Zé Carlos do Moto Clube do Tojal, Loures, pela sua ajuda na minha aflição)


Viva companheiros e contemplativos

Se vos dissesse que esta viagem de ida até à 13ª Concentração dos Ratazanas do Asfalto foi boa mentia, foi má, muito má, nunca me tinha sentido tão mal em cima duma mota.

Nada que tenha a ver com a Carriça VII que teve o seu normal desempenho, mas antes comigo próprio e a minha condição física.

Vou-vos contar.

Os seguidores do Blog Motard A Garagem das Carriças sabem que não estivemos presentes em nenhuma concentração motard desde 2009, sendo a última a 10ª do Moto Clube de Mafra. Desde aí tem sido muito complicado e difícil, por situações da minha vida que, afinal, são comuns a grande parte da envelhecida população desta terrinha: velhos dependentes = prisão.

Daí que passei por um esforço stressado até me libertar para este fim de semana, que me levou até ao meio da tarde, quando eu já queria era estar lá.

Às vezes um gajo abusa, e vai até aos limites – se os passar, o normal é prejudicar-se.

Ora como a necessidade obriga, atendendo a que ainda estava só com o pequeno almoço, optei por um lanche rápido, um sintético lanche de sandes de queijo fresco, duas imperiais, e, para passar a acelerar, um café só com um cheirinho de uísque que me soube muito bem mas iniciou o mal estar. Não imediatamente.

A coisa começou depois de vestir o equipamento de protecção de cabedal. O calor era muito e eu escorria suor como um duche que saía de mim, seguiu-se o esforço de carregar a Carriça, baixar e levantar a prender elásticos, etc., e começaram as tonturas.

Depois de todo este esforço chegou a passar-me pela cabeça ir só no dia seguinte, mas não, não podia ser, já eram umas 19 horas e eu já lá devia estar a ver o pessoal chegar com a tenda montada no meu local preferido, e nada.

Como já me tinham explicado que quando está muito calor há tendência para baixar a pressão arterial máxima, e quando se faz esforço tende a levantar a pressão arterial mínima, as duas situações juntas dão demasiada proximidade entre máxima e mínima, o que dá geralmente um azamboado na cabeça ou tonturas, e já tendo verificado que nestas circunstâncias andando de mota a velocidades moderadas estou melhor do que parado, lá me meti à estrada.

A receita funcionou, mas não perfeitamente, continuava a sentir-me inseguro, mesmo a viajar à velocidade suspeita de 60 a 80 kms/h em AE continuava com sensação de tontura.

Já estava hesitante, páro na próxima estação de serviço ou não páro?, ahh, isto afinal são meia dúzia de kms até ao Sobreiro, vamos lá, mas se calhar é melhor tomar um café porque isto é capaz de ser queda de tensão.

Parei, tomei café, fumei um cigarro, tentando eliminar a ansiedade da chegada, porque afinal, nas concentrações aparece gente a toda a hora, às vezes é de madrugada que estão a armar a barraca.

Fui verificar a pressão dos pneus, sentia-me melhor e só foi chato o tubo da bomba de pressão de ar estar roto, o que me levou a registar que tinha de ver de novo, e arranquei.

Daí a pouco, as tonturas voltaram agravadas, não queria encostar na AE mas foi com esforço e muito devagar que cheguei à próxima estação de serviço.

Achei que devia beber água, só água, e bebi uns copos, mexi-me um bocado até me sentir melhor e quando isso aconteceu fui medir o ar dos pneus. A pressão do da frente estava boa, vamos ao de trás, e quando me baixo sinto uma tal tontura que optei por me sentar e esperar.

Aí lembrei-me, enquanto esperava melhor disposição, do Jacques Bonhomme de que falava Jean-Jacques Rousseau, o bom senso é de toda a conveniência – é uma figura similar ao Zé Povinho.

Só sairia dali em condições de segurança.

A sorte protegeu-me, passados minutos estacionou junto à recepção um companheiro montado num piano   com carga de tenda e mais não sei quê que desmontou e entrou na loja, quando regressou observei que trazia colete com bordados e atrevi-me a pedir-lhe ajuda.

Perguntei-lhe se ia para a concentração de Mafra e como, de facto, ia, expliquei-lhe a minha situação e angustiado perguntei se ele teria paciência para me acompanhar  a 60 ou pouco mais kms/h. A sua disponibilidade foi completa, verifiquei logo que era um motard, um companheiro a sério.

Mais uns momentos de espera até me sentir em condições e lá fomos, a última dúzia de kms até ao destino. Mas não ainda directamente. Ele seguia-me e quando entrei no Sobreiro acabei por me enganar numa rua qualquer e andamos ali às voltas até perguntar pelo caminho, mas a indicação não foi certa e já há uns minutos que ali andávamos às voltas quando me senti outra vez tonto a ponto de ter de parar. E ali ficamos, à espera que passasse. Seria triste "morrer na praia".

Foi aí que o vento nos trouxe a orientação por ouvido, nós estávamos na paralela umas ruas à frente, e a partir daí

- Vamos lá.

E rapidamente lá chegamos.

Fiquei para sempre agradecido ao companheiro José Carlos, do Moto Clube do Tojal, Loures, pela sua solidariedade e tão bom préstimo. Sem ele eu duvido que chegasse, talvez chegasse a pedir socorro ao 112.

Por isso, mal cheguei, logo que pude, fui à carrinha dos Bombeiros (também eles muito disponíveis e prestáveis, o meu obrigado) medir a pressão arterial, e estava bem alta, para mim. O meu diagnóstico leva-me a pensar que estava desidratado e mal alimentado, além do excesso de calor junto com equipamento inadequado. E café demais.

A recepção foi óptima, com toda a gente a querer ajudar, e foi magnífico reencontrar companheiros e conhecer novos companheiros.

Mais uma vez se confirmou a capacidade e eficácia dos Ratazanas do Asfalto realizando uma concentração que toda a gente diz que “é pequenina mas é das melhores do país”.

   


embora com menos presenças do que em anos anteriores o ambiente estava composto


o amigo Jorge é um "ferro velho" especial, com muito bom gosto junta tralha que são objectos raros e coleccionaveis


eis a bike do Capitão Pirata, original motociclista que usa as pernas como motor

pela madrugada revelam-se os artistas ocultos, estes já tocavam tábua de transporte de bejecas


a fotografia é o contrário do movimento, que era a principal graça deste objecto publicitário duma barraca de venda.




o mesmo acontece com o espectáculo de André Cuko, é feito em movimento, as fotos são instantes parados do movimento


parafraseando George Orwell "todos os fotógrafos são iguais, mas há uns que são mais iguais do que os outros"

esta é a parte de que eu não gosto. acho muita graça às habilidades no equilíbrio, às demonstrações de domínio sobre a máquina e tudo isso que é arte de circo; agora quanto ao ruído e ao mau cheiro que qualquer um pode fazer sem ter habilidade especial, e só polui, eu acho que estraga mais do que alegra!



mas a habilidade do tetra campeão mundial André Cuko era imensa, como as fotos dão uma ideia



não faltaram cavalos, éguas, e outros animais de quem não sei o nome






Grandes noites de Rockalhada com:

os putos dos Gritos Mudos (Tributo a Xutos)

os Tomaszumcopo (que têm um guitarrista de excepção)

estes são do reggae, Quem é o Bob (Tributo a Bob Marley)

e os 69 Graus retornaram-nos ao Rock autêntico e gabo-os pelo seu esforço dedicado e grande comunicação - boa banda


ritual de baptismo de membro do Moto Clube de Odivelas "Doninhas do Asfalto"


é uma questão de ponto de vista, de facto as árvores não estão entrelaçadas





Foi um fim de semana que passou de repente. Toda a gente se divertiu imenso, muitos deram largas à sua imaginação, e não vou entrar em pormenores porque o que aconteceu na concentração ficou na concentração, e quem quiser saber como é que é, vá lá – mas atenção: vão com bom espírito, com a abertura mental bastante para ser tolerante com as extravagâncias e excessos sendo respeitoso, sempre num espírito de fraternidade e solidariedade que é essencial num ambiente motard.

A noite de 6ª feira teve as características típicas das noites de 6ª feira, toda a gente a ansiou ao longo duma semana de rotina quotidiana e quando chegou a noite a euforia foi enorme e a festa grandiosa.

A noite de Sábado, sempre mais amena e serena do que a da véspera, decorreu magnífica e lá pela madrugada começou a cair um nevoeiro que em breve se tornou cerrado. Às tantas já não se via bem a poucos metros de distância. Estava cansado embora, ao mesmo tempo, excitado. Decidi regressar à tenda para sossegar e estar em condições de conduzir no regresso a Lisboa.

Caía o nevoeiro e subia a magia da noite. Sentei-me junto à tenda no banquito tripé a fumar e a observar a paisagem, o espaço da festa abaixo da encosta do espaço para acampar tinha desaparecido e só as árvores tomavam vulto transformando-se numa floresta encantada onde não me surpreenderia aparecerem gnomos, fadas, e outros seres raramente visíveis.

 Às tantas observei um facto curioso, fantástico e que nunca tinha visto, cheguei a duvidar de mim e da sua realidade pondo a hipótese de já estar a alucinar com overdose de cerveja, mas não, eu estava mesmo a ver uma árvore sem fim.

Era tão extraordinário o que via que senti uma grande necessidade de o partilhar, mas como é que eu ia lá abaixo dizer aos companheiros

- venham lá acima ver uma árvore sem fim, prolonga-se pelo céu em arco como um arco íris ao contrário, se o arco íris tem todas as cores, este é o seu oposto, faz um arco de negritude no cinzento plúmbeo do céu.

Fiquei a contemplar, mantendo a perspectiva, e aguardando que alguém comunicativo subisse para partilhar o que via. Daí a pouco subiu uma jovem companheira que me deu as boas noites e eu aproveitei para lhe apontar a tal árvore que me tinha já lembrado a história do pé de feijão.

Como eu, ela sentiu a sensação de alucinação, o cume da árvore que não se via e em seu lugar um arco que atravessava o céu de Norte para Sul. Ficamos um momento contemplando juntos este extraordinário que a magia da natureza nos proporcionou, despedimo-nos satisfeitos, e pouco depois adormecia como uma pedra por mais ruído que houvesse.

Domingo é sempre chato, é a despedida. São os últimos rituais de consagrações, entrega de prémios, anúncios de próximas actividades, e ainda a partilha do bolo de aniversário do Moto Clube, para a qual não fiquei pois queria regressar a Lisboa antes da hora dos engarrafamentos de fim de tarde.

Foi muito bom, parabéns Ratazanas do Asfalto, obrigado, até à próxima.

Grato também pela vossa atenção, vosso

António Carlos Borges   

domingo, 4 de setembro de 2011

27º Passeio de Motos Antigas do Moto Clube de Sintra - A Carriça VII esteve lá!



Saudações, companheiros e contemplativos

Sábado, dia 3 de Setembro deste ano de Graça de 2011, quando, ao princípio da tarde, cheguei junto da Carriça VII com um balde com água e uma esponja, encontrei-a suja, manifestamente suja, com o resultado da chuvada de Verão de dias antes, que arrastou para baixo toda a sujidade, poeirada, lixo, que paira na atmosfera. O cinzento metalizado estava transformado em cinzento enlixarado.

Para usar um trocadilho vulgar, em velocidez e rapidade passei esponja e água repondo o brilho que tem a minha Carriça, sem grande rigor mas com eficiência.

Agora tratava-se de sair rapidamente para chegar a tempo da entrega dos prémios, e podia encontrar engarrafamento. Lembro-me de que isso me aconteceu aquando de outra presença em Sintra para ver antigas motas e antigos companheiros, coisa contada em


E, afinal, a Carriça não saía desde a viagem a Portalegre…

O melhor para uma mota ficar afinada é fazer uma longa distância. Isso leva o motor a encontrar uma regularidade – nada que possa acontecer no trânsito da cidade, sempre sujeito a interrupções – andar em estrada leva a que o motor encontre o seu acamamento, onde se sente mais confortável no seu funcionamento. É aí, quando um motociclista montado na sua mota ouve o motor e percebe as potências disponíveis que se podem tirar os máximos rendimentos, ou os optimizados, gastando o menos possível.

O ouvido é muito importante – o modelo TU250X Super Classic da Suzuki melhorou o modelo anterior, a GN, dum ponto de vista estético, erguendo o remake Super Classic retirando dos instrumentos o conta rotações e melhorando o conforto e aparência do banco que, passando a ser castanho no modelo da Carriça, tornou o modelo um tanto raro – mas o ouvido tem de substituir o conta rotações – coisa para que fui educado de infância e por isso nada estranho.

À chegada a S. Pedro de Penaferrim lá encontrei as velhotas e os velhotes que desatei a fotografar logo após uma imperial inspirativa.

Desta vez não encontrei nenhum companheiro que conhecesse para termos conversa mas, ainda assim, com quem falei, o ambiente era de simpatia. No regresso, já na estrada, entre alguns companheiros por quem passei ou que passaram por mim saudámo-nos.

Para variar de estrada decidi vir pela beira-mar e embicar em direcção ao Estoril. Ora conforme eu já me queixei muitas vezes as indicações são parcas, e eu deixei-me “perder” por dentro de terrinhas como Galiza, S. João do Estoril, S. Pedro do Estoril, até me encontrar já em Parede e conhecer o caminho até à Marginal.

Espero ter-vos proporcionado uma pequena visão dum prazer que tive, e que as imagens o justifiquem.





Este é um modelo que destaco sempre pois é igual à minha primeira mota, tal como conto em

 http://forum.mcv.pt/index.php/topic,32432.0.html
é uma Aermacchi Harley-Davidson com 250 cc.dos anos 60 do século passado.
 




Note-se o pormenor do banquinho com estribos para os meninos. Este modelo foi a moto do meu pai, e lembro-me dos catálogos da Heinkel da altura mostrarem a alegre família a passear com uma menina no banco entre os pais e um menino em pé à frente do pai que conduzia, todos sem capacete, claro...


















Este companheiro merece o destaque de ser o mais antigo com os seus 86 anos de idade!















Esta é uma relíquia dos anos 20 do século passado...


Para todos os companheiros o blog motard A Garagem das Carriças endereça desejos de boas curvas.

acb